O estudo aponta o caso mais antigo de incesto entre pai e filha já identificado em material genético, com cerca de 3.700 anos. A descoberta ocorreu na Grotta della Monaca, caverna-cemitério da Idade do Bronze Médio, no sul da Itália. A confirmação foi feita por meio da análise de ROH, trechos de homozigose no DNA antigo.
Foram examinados 23 restos mortais encontrados na caverna. O sexo genético de 18 indivíduos foi determinado, com dez mulheres e oito homens, e foram traçados vínculos familiares e padrões de ancestralidade na comunidade. A maioria apresentava sinais de alianças entre linhagens distintas, sem um único grupo familiar isolado.
Entre os achados, dois casos de parentesco de primeiro grau foram identificados. Um deles envolveu uma mulher e sua filha, situação plausível em contextos funerários. O outro caso revelou um homem adulto e um menino pré-adolescente, cuja relação foi confirmada por análise de ROH.
Metodologia e conclusões
A relação entre pai e filha foi comprovada ao comparar ROH elevados no garoto com o adulto enterrado e a filha dele, indicando endogamia de primeiro grau. O menino era filho do homem adulto e da filha dele; a mãe não foi localizada. Surpreendentemente, não há evidência de doenças genéticas raras no garoto.
Os pesquisadores destacam que, embora raras, uniões de primeiro grau já haviam sido observadas em outros contextos históricos, mas nunca com confirmação tão antiga. A comunidade da Grotta della Monaca apresentava diversidade genética, sem sinais de um grupo familiar fechado, sugerindo várias origens entre seus habitantes.
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