Céüze, resort de esqui no sul dos Alpes, encerrou as atividades em 2020 por falta de neve, deixando para trás infraestrutura que degrada ecossistemas e alimenta debate sobre memória versus natureza. Hoje existem mais de 186 estações abandonadas na França, levantando dúvidas sobre o legado de décadas de atividade turística.
A desmontagem de Céüze teve início em 4 de novembro de 2025, com a retirada dos teleféricos por helicóptero. O custo estimado é de 123 mil euros e, desde o anúncio, já apareceram indícios de recuperação ecológica na área.
Desmonte e custos
A comunidade local, que administra o sítio, afirma que manter a estrutura era mais caro do que encerrar a operação. Mesmo com projeções otimistas, o futuro da montanha parecia sombrio, e a retirada dos equipamentos foi considerada necessária para evitar novas despesas.
Três meses após o início do processo, parte dos cabos e torres já foi removida. A operação, embora rápida, envolve rigorosos cuidados ambientais para minimizar impactos ao solo e às águas da região.
Impacto ambiental e recuperação
Céüze fica em área classificada como Natura 2000, e sinais de recuperação já aparecem. Pássaros e insetos têm encontrado abrigo em áreas antes mantidas como pistas de esqui. Arbustos e flores silvestres começam a surgir nas encostas, acelerando a restauração natural.
Especialistas apontam que a desativação gradual permite observar como a natureza reage. Há quem defenda manter partes como memoriais, enquanto outros defendem a restauração completa do habitat. A pergunta central é o que deve permanecer versus o que deve retornar ao estado selvagem.
Perspectivas para a região
A desmontagem de Céüze ocorre em meio a um panorama europeu de redução de atividades de esqui em função das mudanças climáticas. As autoridades locais ressaltam que, embora a retirada seja rara, pode servir de estudo sobre a convivência entre memória humana e recuperação ecológica.
Pesquisadores destacam que o caso de Céüze pode influenciar decisões em outras áreas degradadas dos Alpes. O tema envolve equilíbrio entre patrimônio cultural e restauração de ecossistemas, com impactos no turismo e na gestão de montanhas.
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