O impacto da arte na saúde passa de ideia a evidência consistente. Pesquisas de grande porte revelam benefícios físicos e mentais, fruto de décadas de dados que envolvem dezenas de milhares de pessoas.
Daisy Fancourt, professora de psicobiologia e epidemiologia da University College London, lidera a consolidação dessa evidência. Ela utilizou coortes inglesas com perguntas sobre engajamento artístico e saúde mental para comparar grupos ativos e inativos culturalmente.
A primeira análise, com a English Longitudinal Study of Aging, mostrou que, entre 2.148 participantes sem histórico de depressão, o grupo ativo culturalmente teve metade das ocorrências de depressão ao longo de uma década. O efeito permaneceu mesmo após considerar renda, vida social e saúde.
A partir daí, pesquisas em Finlandia, China e outras regiões ampliaram o conjunto de dados. Os resultados indicam que a prática artística pode reduzir pressão arterial, acalmar ataques de pânico e PTSD, além de contribuir para o bem-estar mental e até reduzir a necessidade de anestesia em alguns procedimentos.
Alcance e próximos passos
O livro Art Cure, de Fancourt, será publicado ainda neste mês e recomenda que as pessoas se envolvam ativamente com a arte — ouvir música, atuar em peças, desenhar ou contemplar obras por tempo suficiente. A pesquisadora também avalia que assistir arte na tela tem efeitos menos consistentes.
A atuação da Organização Mundial da Saúde é relevante nesse tema: a OMS tornou Fancourt diretora de seu Centro Colaborativo em Artes e Saúde. Em setembro, a agenda internacional sobre artes e saúde ganhou destaque na Healing Arts Week, em Nova York, com participação de instituições como o Guggenheim.
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