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Brasileiros publicam maior estudo sobre sequelas do zika

Maior estudo mundial sobre o zika em crianças brasileiras define a morfologia da microcefalia e evidencia necessidade de cuidados permanentes e acompanhamento escolar

Mosquito da Dengue, Aedes Aegypti, picada, malária. Foto: 41330/Pixabay
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O maior estudo mundial sobre os efeitos do Zika na infância foi publicado ao final de 2025 por pesquisadores brasileiros de 12 centros de pesquisa. O consórcio ZBC-Consórcio reuniu dados de 843 crianças com microcefalia nascidas entre 2015 e 2018, nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil. A pesquisa descreve o espectro da microcefalia associada ao Zika e padroniza informações para oferecer um quadro mais objetivo.

Os dados foram coletados de bancos originais de diferentes estudos no Brasil, com foco na caracterização morfológica da microcefalia provocada pela infecção durante a gestação. O estudo destacou a importância de ampliar a base de casos para compreender a gravidade e a variedade de manifestações da Síndrome Congênita do Zika (SCZ).

A pesquisa foi publicada no dia 29 de dezembro de 2025, no periódico PLOS Global Public Health. A análise permitiu observar que o Zika gera um perfil específico de microcefalia, distinto de outras causas, com variações de gravidade entre as crianças.

Principais resultados apontam que 71,3% dos casos apresentaram microcefalia ao nascer, sendo 63,9% graves; 20,4% tiveram microcefalia pós-natal. A prematuridade apareceu entre 10% e 20% dos casos, e o baixo peso ao nascer teve média de 33,2%. Entre malformações, destacaram-se epicanto (40,1%), occipital proeminente (39,2%) e excesso de pele no pescoço (26,7%).

Entre as alterações neurológicas, houve déficit de atenção social em cerca de metade das crianças, epilepsia entre 30% e 80% (média de 58,3%), e reflexos primitivos persistentes em 63,1%. Alterações oftalmológicas surgiram em até 67,1% dos casos, e alterações auditivas, menos frequentes, também foram observadas.

As neuroimagens mostraram calcificações cerebrais em 81,7%, ventriculomegalia em 76,8% e atrofia cortical em aproximadamente 50% dos casos. Aproximadamente 30% das 853 crianças do estudo faleceram. Entre as que sobreviveram, as idades variam entre 8 e 10 anos e muitas enfrentam dificuldades de inclusão escolar.

Não houve tratamento específico para o Zika; a recomendação é evitar áreas com maior circulação do mosquito Aedes aegypti durante epidemias, usar repelentes e roupas compridas, principalmente em ambientes sem ar condicionado. A estimulação precoce é indicada desde o nascimento para melhorar o prognóstico.

Cuidados permanentes são necessários, com abordagem multidisciplinar em saúde. O acesso a serviços do SUS é um desafio para muitas famílias, o que aumenta a carga social. Também é destacada a urgência de desenvolver vacinas para mulheres em idade fértil para reduzir a transmissão.

Após a publicação, o grupo continuará acompanhando as crianças para entender impactos na vida escolar. O estudo ressalta que, mesmo entre crianças sem microcefalia, a exposição materna ao Zika pode implicar em distúrbios de desenvolvimento que exigem monitoramento e estímulos precoces.

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