A galáxia Cloud-9 foi identificada pelos astrônomos como um objeto cósmico inédito: reúne quase todos os componentes de uma galáxia, mas não possui estrelas. A descoberta aponta para um tipo de estrutura dominada por gás hidrogênio e matéria escura. O estudo foi publicado na The Astrophysical Journal Letters.
Localizada a cerca de 14 milhões de anos-luz da Terra, junto à galáxia Messier 94, Cloud-9 é o primeiro exemplo confirmado de RELHIC, sigla em inglês para Reionization-Limited HI Cloud. Trata-se de uma nuvem de hidrogênio neutro cuja evolução foi limitada por eventos cósmicos primordiais.
O objeto ajuda a testar modelos de formação de galáxias. Halos de matéria escura atuam como estruturas que atraem gás; quando o gás esfria, pode formar estrelas. Em Cloud-9, o halo seria suficientemente massivo para manter o gás, mas não para gerar estrelas.
Para entender a ausência de luz estelar, a equipe avaliou sinais de observações em rádio. Em 2023, o FAST, na China, detectou a nuvem por meio da radiação do hidrogênio. Observações subsequentes com o Green Bank e o VLA, nos EUA, reforçaram a hipótese de uma nuvem isolada.
Em 2025, o Hubble vasculhou a região para confirmar a ausência de população estelar. O resultado foi negativo, com apenas uma possível estrela indivídua, que pode ser apenas uma galáxia distante alinhada no campo de visão.
A grande importância da Cloud-9 está na possibilidade de estudar diretamente a matéria escura. Sem brilho estelar para ofuscar sinais, é possível inferir propriedades do halo invisível e avaliar modelos cosmológicos.
Além disso, o estudo sugere que estruturas como RELHICs existiriam, mas seriam menos numerosos que o previsto. A existência da Cloud-9 pode explicar parte da discrepância entre simulações e números observados de galáxias anãs.
O desfecho ainda é incerto. Caso acumule massa suficiente, o gás pode se comprimir e originar estrelas, transformando a nuvem em uma galáxia tradicional. Por outro lado, a matéria gasosa pode se dispersar no meio intergaláctico.
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