O calor extremo registrado no início de janeiro na Austrália é, segundo análise da World Weather Attribution (WWA), cinco vezes mais provável por causa do aquecimento global causado pelo homem. O evento ocorreu em grande parte do país, com temperaturas acima de 40C em Melbourne e Sydney e condições ainda mais intensas em áreas de Victoria, New South Wales, Oeste, Sul e Tasmânia.
O estudo liga o aumento da severidade ao efeito de gases de efeito estufa, que superou a influência de um episódio La Niña fraco. A temperatura do evento ficou em torno de 1,6C acima do esperado sem o aquecimento antropogênico, enquanto o La Niña poderia ter reduzido máximas entre 0,3 e 0,5C.
Em Victoria, o calor antecedeu incêndios florestais que atingiram cerca de 400 mil hectares e destruíram quase 900 estruturas. A região foi fortemente atingida, refletindo a combinação de altas temperaturas com condições secas e ventos intensos.
Contexto climático e projeções
Segundo os autores da WWA, haveria, sob aquecimento de 2,6C acima dos níveis pré-industriais, a cada dois anos eventos de calor extremo semelhantes ao visto em janeiro. Atualmente, a previsão aponta para que tais ondas de calor ocorram a cada cinco anos em cenários próximos. A análise utiliza observações climáticas e modelos para avaliar o papel humano nesses eventos.
Perkins-Kirkpatrick, coautora e professora da ANU, aponta que o calor extremo é uma das formas mais letais de tempo extremo, com impactos que aparecem dias após o evento. O estudo ressalta que a percepção pública de que o calor é suportável precisa mudar diante da evidência científica.
Sobre a metodologia e limitações
Friederike Otto, cofundadora da WWA e professora de ciência climática, afirma que as técnicas utilizadas são consolidadas, mas o estudo ainda não passou por revisão entre pares. A equipe destaca que o objetivo é apresentar rapidamente os resultados para informar decisões públicas e adaptação.
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