Alguns grafitos recentes encontrados em Pompeia ajudam a entender a vida cotidiana, incluindo violência, afeto e o tecido cosmopolita da antiga cidade. Arqueólogos analisaram 79 novas rabiscadas na parede de um corredor entre dois teatros, espaço que abrigava moradores e encontros sociais.
O corredor, conhecido como Corridoio Teatri, foi escavado pela primeira vez em 1794. Ao longo de seus 27 metros já havia cerca de 200 inscrições, mas muitas estavam nítidas apenas com tecnologia moderna. As novas leituras revelam conteúdos até então incomuns.
Entre as mensagens há referências a uma trabalhadora do sexo identificada como Tychè, supostamente paga para realizar atos sexuais no local. Também aparecem textos de conteúdo afetivo, como promessas de carinho, além de menções a Erato, deusa do amor.
Tecnologia e novos resultados
A leitura das inscrições foi feita com Reflectance Transformation Imaging, técnica que gera imagens hiper-realistas ao combinar várias fotos. O método revelou detalhes invisíveis a olho nu.
Junto de técnicas de fotogrametria e metadados, as imagens RTI devem embasar uma nova plataforma online em 3D, prevista para este ano. O objetivo é permitir que estudiosos visualizem e annotem as inscrições de forma colaborativa.
De acordo com Gabriel Zuchtriegel, diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, existem cerca de 10 mil inscrições no sítio. Ele destaca o potencial de proteção do corredor, que pode ganhar uma cobertura para preservar o relevo de gesso e as grafias.
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