Desde o início dos anos 1990 até 2019, pesquisadores mediram 770 adultos de ursos polares em Svalbard, arquipélago no Norte da Noruega. O estudo indica que os ursos ficaram mais gordos e com condição corporal melhor, mesmo com a redução progressiva da extensão de gelo no oceano.
Os cientistas sugerem que os ursos de Svalbard se adaptaram ao recuo do gelo ao consumir mais presas terrestres, como renas e morsas. A proteção oficial às morsas na Noruega, desde a década de 1950, contribuiu para o aumento de sua população, oferecendo fonte de gordura para os ursos.
A moratória de caça histórica em Svalbard foi mencionada como possível fator de recuperação populacional de ursos polares na região. Além disso, o aumento de morsas e renas pode ter ampliado as oportunidades de alimentação para os predadores árticos.
No entanto, os pesquisadores ressaltam que esse avanço é provavelmente temporário. À medida que o gelo continua a diminuir, os ursos devem percorrer maiores distâncias para encontrar pontos de caça, consumindo mais energia e reduzindo reservas de gordura.
Especialistas citados pelo estudo enfatizam que a condição corporal é apenas um dos componentes da sobrevivência dos ursos. Em algumas áreas árticas, como a Baía de Hudson, o aquecimento tem associado quedas populacionais, destacando que a situação varia por região.
Os cientistas destacam que o quadro de longo prazo ainda aponta para a necessidade de gelo para a sobrevivência dos ursos polares. Caso a perda de gelo persista, a tendência é de declínio populacional, mantida sob avaliação de pesquisadores e autoridades ambientais.
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