O uso de medicamentos agonistas do GLP-1, popularizados como “canetas emagrecedoras”, ganhou espaço entre puérperas na Dinamarca. A prática tem sido associada ao desejo de acelerar a perda de peso após o parto, com aumento expressivo nos últimos anos.
O estudo dinamarquês e canadense analisou registros de nascimento na Dinamarca entre 2018 e 2024, cruzando com dados de prescrições de semaglutida e liraglutida. O objetivo foi identificar mães de recém-nascidos que receberam pelo menos uma receita nesses fármacos entre o parto e os primeiros 182 dias do puerpério.
A amostra envolveu mais de 382 mil gestações, com 1.549 mulheres utilizando as canetas no pós-parto. Em 2018, a taxa ficava abaixo de 5 por 10 mil partos; em 2024, subiu para 173 por 10 mil nascimentos. A virada ocorreu após a liberação da semaglutida para obesidade, em dezembro de 2022.
Contexto e mudanças no cenário
Segundo os autores, a partir de 2023 houve aumento drástico no uso, com maioria das usuárias tendo peso acima do previsto antes da gestação. A pesquisa aponta que não há histórico de diabetes entre grande parte das pacientes, o que indica uso fora de indicação diabetes.
Profissionais de saúde no Brasil já observam tendência semelhante. Médicos destacam que a procura é tanto de pessoas com sobrepeso pré-gestação quanto de puérperas com IMC não elevado. Motivos variam, incluindo insatisfação com o corpo e receio de não recuperar o peso anterior.
Riscos e cautelas
Especialistas ressaltam que há pouca evidência sobre interações entre GLP-1 e as mudanças do puerpério. Alguns estudos sugerem que a semaglutida não entra no leite materno em quantidades relevantes, mas isso não assegura segurança durante a amamentação.
Efeitos colaterais comuns incluem náusea, vômito, diarreia e fadiga, além de possíveis complicações como colecistite ou pancreatite. A decisão de iniciar o tratamento deve ser individualizada, levando em conta obesidade, comorbidades, saúde mental e suporte a mudanças de estilo de vida.
Orientação clínica e proteção à amamentação
Especialistas defendem acolhimento às puérperas que buscam opções para o peso, sem incentivar a pressa. O período pós-parto é visto como fase de adaptação temporária, com necessidade de acompanhamento médico adequado. Os medicamentos não devem ser encarados como atalho cosmético.
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