James Cheshire, professor de informação geográfica e cartografia na University College London, apresenta um novo livro que valoriza o papel dos mapas físicos no mundo digital. A obra reúne 96 mapas considerados perdidos, resgatados após anos de estudo em uma sala de mapas esquecida no campus.
O livro The Library of Lost Maps mostra geometrias históricas, desde xilogravuras antigas até obras usadas em eventos estratégicos. Entre as peças, há mapas de Hiroshima impressos dias antes da bomba e um exemplar de Madrid ligado a invasões da Segunda República, além de mapas do fundo oceânico. A seleção é acompanhada de comentários que destacam a importância das bibliotecas como memória sociopolítica.
Cheshire utiliza a formação dele em análise de dados espaciais para justificar o valor dos mapas analógicos. O autor aponta que, na era digital, ter acesso a grandes volumes de dados cartográficos facilita o ensino e a pesquisa, sem desperdício de recursos. Ele rejeita a ideia de que IA substituirá completamente a cartografia, afirmando que mapas embasam políticas públicas de qualidade do ar e transparência de emissões.
O papel atual dos mapas
A obra defende que a prática cartográfica funciona como ponte entre ciência, história e participação social. Cheshire relembra o uso de mapas em negociações diplomáticas, como a Conferência de Paris de 1919, onde mapas poderiam influenciar decisões sobre trocas comerciais e alianças. O livro também propõe um debate sobre museus dedicados exclusivamente a mapas.
O autor visita o National Postal Museum em Washington e sugere que um museu dedicado a mapas poderia ampliar a compreensão pública sobre geografia, economia e história. A leitura é apresentada como uma aproximação prática do que os mapas significam para a memória coletiva e para o planejamento urbano contemporâneo.
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