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Vírus Oropouche já infectou mais de 5 milhões no Brasil, aponta estudo

Estimativas indicam que Oropouche já infectou cerca de 5,5 milhões no Brasil; reforça necessidade de vigilância e controle do vector rural maruim

O mosquito-pólvora, porvinha ou maruim (Culicoides paraensis), transmissor do Oropouche, é três vezes menor que um pernilongo comum, tamanho ideal para atravessar mosquiteiros
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O vírus Oropouche pode ter infectado cerca de 5,5 milhões de pessoas no Brasil desde 1960, segundo dois estudos publicados recentemente. A estimativa para a América Latina e o Caribe fica em torno de 9,4 milhões de pessoas. Os trabalhos destacam que o impacto da doença é maior do que o registrado nos dados oficiais.

A pesquisa aponta que a disseminação ocorreu de forma contínua e silenciosa, com casos muitas vezes não diagnosticados. Em Manaus, por exemplo, estima-se que 300 mil pessoas tenham sido infectadas entre 2023 e 2024, indicando transmissão ampla além da região amazônica. A Organização Mundial da Saúde pediu rapidez no desenvolvimento de estratégias de prevenção.

O que é o Oropouche e como ele se transmite

O Oropouche é transmitido pelo mosquito-pólvora, conhecido como maruim, diferente do Aedes aegypti. O vírus costuma impactar áreas rurais, em solos úmidos com matéria orgânica, o que explica a maior incidência em zonas rurais e periféricas das cidades. Ao contrário de mosquitos urbanos, o maruim deposita ovos em solo úmido.

O estágio atual da doença no Brasil e na região

O Espírito Santo teve a maior taxa acumulada de casos, com 318 ocorrências por 100 mil habitantes. A região Sudeste concentrou quase 58% das notificações, tornando-se o novo epicentro. A doença provoca febre e sintomas semelhantes aos da dengue, podendo evoluir para meningite, microcefalia em gestantes e outras complicações graves.

Desafios da vigilância e caminhos para políticas públicas

Os pesquisadores destacam que a doença se espalha de maneira diferente de arboviroses transmitidas por Aedes. A vigilância precisa considerar áreas rurais e regiões de floresta, não apenas centros urbanos. A reemergência em 2023 está associada a uma nova linhagem viral, resultante de reassortimento genético, o que aumenta a capacidade de replicação e dificulta a neutralização por anticorpos pré-existentes.

Recomendações de atuação

Os especialistas defendem testes sorológicos contínuos, uso de bancos de sangue como alerta precoce e integração de dados ambientais, genômicos e clínicos para monitorar surtos. A descentralização dos laboratórios e a vigilância ativa podem antecipar riscos e orientar decisões de vacinação.

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