Débora Saueressig, 47, de Porto Alegre, e Sarita Melo, 28, de São Paulo, são mães que descobriram o autismo após o diagnóstico de seus filhos. Em comemoração ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, nesta quinta-feira, elas contam como pistas em casa apontaram para o espectro ainda antes de confirmar em si mesmas o diagnóstico. A reportagem pode ser conferida pela CRESCER.
O caso de Débora envolve o filho Benjamin, que teve sinais precoces de atraso social e comunicativo, interesses restritos e sensibilidade sensorial. O diagnóstico foi emitido antes dos dois anos, com avaliação técnica que confirmou o TEA. A mãe diz ter reagido com surpresa revelando que o veredito apenas nomeou o que já era observado.
Ao reconhecer semelhanças entre Benjamin e si mesma, Débora passou por avaliações e descobriu que também é autista aos 47 anos. O diagnóstico trouxe clareza, menos culpa e um enfoque maior no autocuidado. Ela afirma que isso não alterou o sentimento pela relação com o filho, que continua marcada pelo amor.
Desafios da saúde mental e da família
Sarita descobriu que a filha Elisa, não verbal e com deficiência intelectual, também é autista. A família enfrenta dias difíceis durante períodos de maior sobrecarga sensorial e comportamental. Ela relata que a aceitação familiar sobre o diagnóstico varia, exigindo redes de apoio e compreensão.
Após a confirmação de Elisa, Sarita passou por avaliação e recebeu o diagnóstico de autismo nível 1 de suporte. A confirmação envolve a percepção de que há outros parentes com traços do espectro. A mudança diária passa a incluir ajustes para coexistir com as limitações impostas pelo TEA.
Contexto nacional sobre autismo em mulheres
Especialistas destacam que mulheres e meninas costumam ser subdiagnosticadas no Brasil, o que pode levar a quadros de ansiedade, depressão e burnout. Pesquisas apontam que, historicamente, os critérios diagnosis foram calibrados com maior base masculina.
A literatura científica, segundo a neuropsicóloga Luciana Xavier, indica que o mascaramento social em meninas dificulta a identificação de sinais. Profissionais apontam para a necessidade de formação de médicos de porta de entrada, ferramentas de rastreio mais sensíveis ao fenótipo feminino e avaliação longitudinal da trajetória.
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