Os pesquisadores apontam que as espécies migratórias de aves marinhas cruzam fronteiras com pouca consideração pelas regras locais. Animais que percorrem oceanos inteiros dependem de habitats dispersos e regulados por diferentes jurisdições, o que resulta em proteção irregular e populações em declínio.
Um estudo recente identifica seis rotas de migração marítima que conectam os oceanos Atlântico, Pacífico, Índico e Antártico. As rotas representam caminhos recorrentes de deslocamento, indicando onde cada espécie se move e onde a responsabilidade recai sobre autoridades.
O trabalho, resultado de colaboração entre BirdLife International, RSPB e universidades, baseia-se em dados de rastreamento. Foram mapeadas áreas de alimentação, criadouros e paradas críticas para 151 espécies de aves marinhas, o que corresponde a cerca de 40% de todas as aves marinhas.
O que muda com as rotas marinhas
As rotas sobrepõem-se às águas de 54 países, muitos já signatários de acordos sobre espécies migratórias. Países com territórios ultramarinos podem figurar em várias rotas simultaneamente, ampliando o conjunto de regimes de proteção aplicáveis.
A maioria das espécies está associada a uma única rota, embora algumas atravessem mais de uma. Isso conecta diferentes partes do oceano e sugere responsabilidades compartilhadas entre governos e organizações internacionais, como a Convenção sobre Espécies Migratórias.
Potencial de proteção e desafios
A proposta não visa proteger toda a extensão oceânica, mas aumentar a conectividade entre áreas protegidas. Existem mais de 1.300 Áreas Importantes para a Biodiversidade, que podem sustentar a conservação de aves marinhas, ainda que a cobertura varie entre regiões.
Entre as ameaças, destacam-se espécies invasoras em ilhas de reprodução, bycatch em pesca de arrasto e alterações climáticas. A distribuição desses riscos varia regionalmente, demandando ações coordenadas para manter redes de habitats viáveis.
Limites e próximos passos
Medidas já existentes incluem erradicação de mamíferos invasores em ilhas, redução do bycatch em pescarias de linha e apoio à colonização em novas áreas. A aplicação ampla dessas ferramentas, porém, depende de vontade política e de acordos mais robustos.
Os autores defendem o reconhecimento formal das rotas marítimas no âmbito da Convenção sobre Espécies Migratórias. Tal marco pode facilitar a coordenação entre jurisdições e alinhar acordos regionais e metas globais de biodiversidade, ampliando a efetividade das ações.
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