Ao longo de estudos desenvolvidos no âmbito do Biota Campos, pesquisadores revelam que campos naturais brasileiros abrigam plantas centenárias, mesmo em ecossistemas não florestais. As pesquisas utilizam dendrocronologia em árvores e herbcronologia em espécies de porte menor para reconstruir históricos climáticos.
A equipe coordena Giselda Durigan, do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), e envolve a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. As investigações trazem técnicas novas para avaliar a idade de plantas de pequeno porte em Cerrado e Mata Atlântica.
Os levantamentos ocorreram em 50 localidades de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, abrangendo 28 famílias e 107 espécies. Amostras foram coletadas em áreas de altitude, campos úmidos e secos, para entender a longevidade dessas plantas.
Técnicas para datar plantas
Um estudo de datação encontrou espécies centenárias em campos naturais do Cerrado, com cerca de 12% das plantas com mais de 50 anos. A análise utilizou amostras de órgãos subterrâneos, protegidos de queimadas e herbívoros.
A pesquisadora Claudia Fontana explica que o órgão subterrâneo abriga as gemas que rebrotam, registrando a história da planta desde a germinação. A leitura desses tecidos permite entender a vida da planta.
Outra linha de pesquisa aplicou técnicas de autofluorescência e testes histoquímicos para evidenciar a anatomia e a química dos órgãos subterrâneos. O objetivo é facilitar a delimitação dos anéis de crescimento para a datação.
Resultados e desdobramentos
O conjunto de técnicas permitiu visualizar os anéis com maior precisão, ajudando a entender a relação entre ambiente e espécies. Tiago Marcilio Gomes Pinto lembra que a visualização depende do entendimento do significado dos anéis para a dinâmica do campo.
Os trabalhos destacam a utilidade da herbcronologia para ecossistemas não florestais, especialmente em áreas com queimadas frequentes. A pesquisa também busca compreender estratégias de sobrevivência das plantas diante de fogo e secas.
Implicações para conservação
Os resultados indicam que campos naturais não são áreas degradadas por natureza, mas ecossistemas resilientes que se renovam após eventos climáticos. A presença de plantas com centenas de anos evidencia a importância de conservar esses habitats.
Os estudos ajudam a reconstruir a história climática de regiões específicas e a caracterizar a unidade de estudo, o anel de crescimento, para futuras avaliações em outras espécies. As pesquisas continuam em parceria entre IPA, Esalq e redes associadas.
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