Ao longo da história do Sistema Solar, dois planetas se destacam por girarem em sentido contrário à maioria: Vênus e Urano. A rotação retrógrada desses corpos é conhecida há décadas e ainda é objeto de estudo entre astrônomos. O disco protoplanetário, há 4,6 bilhões de anos, deu origem aos planetas que hoje orbitam o Sol no sentido anti-horário em relação ao eixo solar.
Seis dos oito planetas giram sobre si no mesmo sentido da rotação solar. Vênus e Urano são exceções. A explicação para cada caso envolve hipóteses diferentes, sempre com o objetivo de entender como esses giros divergentes se formaram. As hipóteses são embasadas em modelos de formação e evolução planetária.
Vênus
Não há consenso definitivo sobre a origem da rotação retrógrada de Vênus. Uma linha de pesquisa sugere colisões catastróficas que teriam alterado o sentido de rotação, com a absorção de massa de asteroides que influenciou o eixo. Outra hipótese envolve forças concorrentes que puxam e empurram o planeta ao longo do tempo.
Por um lado, a gravidade solar atua como freio, desacelerando a rotação e tendendo a manter o mesmo lado voltado ao Sol. Por outro, a atmosfera densa de Vênus, aquecida pela radiação solar, geraria ondas que empurram o planeta no sentido contrário ao dos demais.
Como resultado, Vênus apresenta um dia que dura 243 dias terrestres ou mais, com rotação retrógrada e lento. A combinação de efeitos gravitacionais e atmosféricos é citada como a explicação mais aceitada para o fenômeno.
Urano
No caso de Urano, a explicação mais citada envolve uma colisão severa no início da história do planeta. A hipótese mais aceita aponta que um grande objeto atingiu Urano, derrubando-o de lado e alterando seu eixo de rotação.
Ao colidir, parte da matéria foi ejetada e, ao longo do tempo, conjuntos de materiais se acomodaram como luas em órbitas planas com o equador do planeta. Essa configuração, segundo estudos, pode exigir múltiplos impactos para explicar o alinhamento das luas.
Pesquisas recentes indicam que Urano pode ter sofrido dois impactos massivos. O resultado seria o ângulo axial extremo e a órbita das luas no plano do equador, diferindo do que ocorreria com apenas um choque. Modelos que envolvem múltiplos impactos ajudam a explicar as órbitas das luas ao redor do planeta.
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