O estudo analisa 1.116 descrições de novas espécies de mamíferos entre 1990 e 2025. Deste total, 999 vêm de países tropicais, onde a biodiversidade é maior. Países ricos contribuíram com 117 descrições no mesmo período.
Os pesquisadores destacam que, apesar do avanço técnico, as descrições vindas do Norte Global costumam ser mais robustas. A diferença persiste mesmo com acesso maior a ferramentas modernas. O trabalho é publicado no Journal of Systematics and Evolution.
A pesquisa foi realizada por parte de cientistas vinculados à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e apoiada pela FAPESP. Moroti e Guedes dividem a primeira autoria, durante pós-doutorado no IB-Unicamp.
Segundo os autores, a robustez das diagnoses aumentou com o tempo, graças a mais técnicas e a maior amostra de espécimes. Isso tende a reduzir contestações futuras e apoiar políticas de conservação.
O estudo integra o projeto Megadados & conservação da biodiversidade, coordenado por Mário Moura na Unicamp. O objetivo é avaliar como o acúmulo de conhecimento impacta o planejamento da conservação.
Entre os fatores analisados, destaca-se o tamanho do corpo, a riqueza taxonômica, a geografia de coleta e aspectos socioeconômicos. Esses elementos influem na qualidade das descrições.
Dados biológicos ajudam a explicar a predominância de roedores (41%) e morcegos (26%) entre as espécies descritas. Grupos altamente diversificados costumam exigir maior número de espécimes na comparação.
As limitações também aparecem na internacionalização. Em algumas descrições, menos países participaram, possivelmente por menor custo de ferramentas moleculares.
A América do Sul passa a mostrar maior autossuficiência em descrições, com menos dependência de colaborações com o Norte Global. Novo padrão observado pelos pesquisadores.
Os autores ressaltam que a participação do coletor na descrição pode acelerar ou retardar a publicação. Em trabalhos anteriores, a ausência do coletor atrasou décadas.
A taxonomia integrativa, que usa várias linhas de evidência, tende a oferecer classificações mais estáveis. Isso facilita políticas de conservação contínuas ao longo do tempo.
O estudo reforça a necessidade de dados confiáveis para orientar conservação. Mesmo com avanços, há desigualdades no acesso a recursos que influenciam a produção científica.
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