Os reservatórios que abastecem a Grande SP entraram em abril com o pior nível desde 2016 para esse mês, marcando a transição para o período seco. O Cantareira, principal sistema, registrou o patamar mais baixo desde a crise de 2014/2015 durante o verão de 2026, ainda que haja recuperação parcial.
Até meados de abril, o sistema integrado operava com cerca de 56% de reserva hídrica, recuperando de 26% observado em novembro. A SP Águas ressaltou que a situação atual difere da crise anterior, associada a chuvas excepcionais por dois anos seguidos e a falhas na gestão integrada.
A Sabesp informou que tem ampliado a integração entre sistemas produtores, aumentando transferências entre regiões, modernização de redes e combate a perdas. Entre as obras recentes, destacam-se a transferência do Itapanhaú, em operação desde o fim de 2025, e a interligação Billings–Alto Tietê com conclusão prevista para 2027.
Situação do Cantareira
Os reservatórios do Cantareira encerraram março com 44% do volume útil e, com a entrada do outono, apresentam queda gradual. O sistema permanece na faixa de operação “Atenção” (40% a 60%). Pesquisadora Adriana Cuartas, do Cemaden, observa que ainda é possível atravessar a estação, desde que as medidas sejam mantidas.
O Cemaden aponta que, mesmo com a chuva recente, o armazenamento no solo não foi suficiente para recompor os cursos d’água, o que impacta o suprimento nos períodos secos. As projeções indicam que, em cenário de chuvas na média histórica, o volume útil ficaria em 42% até junho e 35% até setembro, configurando alerta.
Medidas de gestão e perspectivas
Desde agosto de 2025, a Sabesp mantém a pressão reduzida nos encanamentos durante a noite. A Arsesp manteve, em março, a Gestão de Demanda Noturna (GDN) por 10 horas, elevando a poupança de água em área urbana. A gestão visa evitar quedas acentuadas até o fim da estação seca.
A Arsesp explicou que a referência de 47% do SIM serve como parâmetro técnico para a entrada no período seco, não como limite normativo. A estimativa de segurança considera a necessidade de manter o abastecimento com base em medidas técnicas e investimentos contínuos.
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