Um estudo inédito, publicado nesta terça-feira na revista eLife, aponta que a locomoção lateral dos caranguejos é uma característica rara, originada de um ancestral comum há cerca de 200 milhões de anos. A pesquisa envolve o grupo dos caranguejos verdadeiros, Brachyura, e analisa sua evolução.
Segundo os pesquisadores, a locomoção lateral é marcante entre caranguejos verdadeiros, o maior grupo de decápodes que se alimentam de outros caranguejos. O formato corporal levou a múltiplas adaptações para evitar predadores, com direção de fuga menos previsível.
Ao todo, a equipe avaliou 50 espécies, classificando 35 com locomoção lateral e 15 com locomação para frente. A mudança para o modo lateral ocorreu apenas uma vez, a partir de um ancestral que se movia para frente, na base de Eubrachyura, permanecendo estável ao longo do tempo.
Origem da locomoção lateral
A análise aponta que a origem única da locomação lateral se alinha com o conceito de inovação que favoreceu o sucesso ecológico dos caranguejos verdadeiros. O estudo também ressalta que a diversificação evolutiva pode ter sido influenciada por fatores externos, como eventos de extinção em massa.
Os autores destacam que, ao menos, 7.904 espécies de caranguejos verdadeiros existem hoje, bem mais do que o grupo irmão Anomura, com pouco mais de três mil. A evolução repetiu-se ao longo do tempo, contribuindo para a expansão de habitats terrestres, de água doce e marinhos.
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