Um rover da NASA identificou pela primeira vez uma mistura diversa de compostos orgânicos complexos na superfície de Marte, incluindo moléculas nunca detectadas no planeta. O resultado foi publicado em 21/4 na revista Nature Communications, reforçando a busca por sinais de vida antiga.
O responsável pelo achado é o rover Curiosity, que opera em Marte desde 2012. Em 2020, o equipamento realizou um experimento químico inédito na região de Glen Torridon, na cratera Gale, área rica em argilas capazes de reter compostos orgânicos.
Para analisar o material, o Curiosity usou o reagente TMAH, que fragmenta moléculas maiores em partes menores para facilitar a identificação. O experimento exigiu planejamento cuidadoso, pois o veículo levava apenas dois recipientes dessa substância.
Detalhes do achado
Entre os compostos identificados está uma molécula com nitrogênio semelhante a estruturas associadas ao DNA, algo inédito em Marte. A descoberta aumenta o interesse científico sobre o planeta e a possibilidade de registros de matéria orgânica complexa.
A pesquisa sugere ainda que parte desses compostos pode ter origem em meteoritos que atingiram Marte e a Terra no passado, fornecendo componentes básicos para a vida em ambos os mundos.
Conservação em condições extremas
As moléculas foram preservadas apesar das condições extremas de Marte, que inclui radiação cósmica, atmosfera fina e variações de temperatura. As argilas da cratera Gale atuaram como cápsula natural, protegendo os compostos por bilhões de anos.
Limitações e próximos passos
Os dados atuais não permitem determinar a origem dos compostos. Eles podem ter se formado geologicamente, ter vindo de meteoritos ou estar ligados a atividade biológica passada. Missões futuras podem esclarecer essas possibilidades.
Especialistas destacam a importância de enviar amostras marcianas à Terra para análises mais detalhadas em laboratórios. Planos de missões com esse objetivo já estão em desenvolvimento por agências dos EUA e da Europa.
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