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Calor extremo no Brasil 2023-2024 evidencia riscos à segurança alimentar

Calor extremo de 2023–2024 amplia vulnerabilidade da agricultura brasileira, reduz safras como soja e milho, eleva estresse em animais e aumenta incêndios florestais

Incêndios atingindo o Pantanal (Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT)
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O Brasil viveu entre 2023 e 2024 um episódio de calor extremo que evidenciou riscos à segurança alimentar. O estudo é parte de um relatório conjunto da FAO e da OMM, que alerta para impactos sobre lavouras, pecuária, florestas, pesca e saúde humana. A análise usa o caso brasileiro para ilustrar vulnerabilidades em um contexto de aquecimento global já acelerado.

O documento destaca que as ondas de calor ocorrem em um planeta mais quente, com El Niño intensificado. No Brasil, a combinação de mudanças climáticas e esse fenômeno elevou a frequência de eventos extremos, atingindo áreas antes menos afetadas, como Amazônia e Nordeste. A especialidade técnica aponta impactos diretos na produtividade e na renda rural.

Segundo a FAO, as consequências vão além da produção. O texto sublinha vulnerabilidade de agricultores e famílias locais, com efeitos desproporcionais sobre os mais pobres. O ganho de água, o manejo de solos e a saúde animal aparecem como fatores críticos para a resiliência do sistema agroalimentar.

O que mudou no manejo de safras

Entre outubro de 2023 e maio de 2024, as temperaturas máximas diurnas foram superiores ao limiar crítico para a soja em mais de 60% dos dias na maior parte do país, exceto Sul. As médias diárias também excederam 30 °C em parte do período.

A soja, especialmente na reprodutiva e no enchimento de grãos, registrou perdas por abiamento de flores e queda de vagens. Em São Paulo, lavouras em plantio direto sobre palha apresentaram menor sensibilidade ao calor.

Conab chegou a projetar uma safra recorde de 162 milhões de toneladas, mas a estimativa caiu para 147,7 milhões em maio de 2024, refletindo o estresse térmico em várias regiões.

Pecuária sob estresse térmico

Os suínos, sensíveis ao calor, passaram por estresse severo por grande parte de 2023-2024, com piora regional no Centro-Oeste. Bovinos leiteiros tiveram queda de produção, principalmente no Sudeste, área com expressiva presença da indústria de laticínios.

Estresse prolongado pode reduzir ingestão de alimento e ganho de peso, elevando custos. Em bovinos leiteiros, as perdas de leite são irreversíveis, impactando a renda dos produtores.

Incêndios florestais e impactos ambientais

A onda de calor alimentou incêndios florestais catastróficos e condições perigosas para trabalhadores. Em 2024, o índice de fogo florestal (FWI) ficou acima da média histórica, com picos no Centro-Oeste.

Entre 2023 e 2024, incêndios devastaram áreas consideráveis, contribuíram para poluição do ar por micropartículas e acentuaram riscos regionais de manejo florestal. O relatório aponta aumento de dias com risco elevado na região Centro-Oeste, seguido por Nordeste e Sudeste.

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