A cocaína e seus metabólitos foram usados para simular contaminantes em um lago, revelando impactos no comportamento de salmões. O estudo, realizado no Lago Vättern, na Suécia, testa efeitos em peixes em ambiente natural, não apenas em laboratório.
Pesquisadores implantaram dispositivos em salmões do Atlântico criados em cativeiro. Emite cocaína e benzoilecgonina, substância resultante da metabolização da droga, em concentrações próximas às encontradas em rios contaminados. O objetivo foi observar mudanças no deslocamento.
O experimento comparou três grupos: cocaína, metabólito e controle. O grupo exposto à benzoilecgonina mostrou o maior efeito, nadando até 1,9 vezes mais por semana que o grupo não exposto, o que equivale a um aumento de cerca de 60% na distância.
Metodologia, local e duração
Ao final de dois meses, o grupo controle ficou a cerca de 20 quilômetros do ponto de liberação. Em contrapartida, peixes expostos ao metabólito estavam, em média, a 32 quilômetros de distância.
Os autores indicam que a benzoilecgonina persiste mais nos organismos aquáticos, corroborando resultados de trabalhos de laboratório. Compostos de uso humano podem, portanto, integrar o ciclo hídrico.
Resultados e implicações
Mudanças no padrão de deslocamento afetam busca por alimento e exposição a predadores, com possíveis consequências ecológicas ainda incertas. A pesquisa ressalta a necessidade de entender impactos de contaminantes químicos em ecossistemas aquáticos.
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