Bruce, um kea da Nova Zelândia, nasceu com a parte superior do bico ausente. Mesmo assim, tornou-se o macho alfa de seu grupo, desafiando a ideia de que força corporal determina a liderança entre animais.
A pesquisa, publicada na Current Biology, envolve cientistas da Universidade de Canterbury e do Institut de Neurociències da Universitat Autònoma de Barcelona. Bruce faz parte de um circo da Reserva Willowbank, perto de Christchurch.
O caso foi registrado em 2013, quando Bruce foi encontrado sem parte do bico superior e levado para o viveiro. Hoje, ele vive com 11 keas e lidera as disputas alimentares e de espaço do grupo.
Arma improvável
Sem o bico superior, Bruce desenvolveu uma técnica inédita, apelidada de justa. Ele usa o bico inferior como lança, estendendo o pescoço para golpear o oponente em curtas distâncias.
Em confrontos, Bruce participou de 36 disputas e venceu todas. A estratégia reduz a necessidade de mordidas com o bico, que não funciona com a parte superior ausente.
A eficácia da técnica é alta: em cerca de 73% das investidas, o rival recua rapidamente. Pesquisadores destacam que a vantagem decorre da inovação comportamental diante da deficiência.
Mudanças de comportamento e cuidado
Além das lutas, Bruce demonstra habilidades adicionais. Ele limpa o bico com a ajuda de outros keas e usa pedras e superfícies para triturar comida, transformando objetos no ambiente em ferramentas simples.
A equipe científica observa que keas são aves muito inteligentes e capazes de explorar soluções novas. Bruce demonstra, assim, como a criatividade pode compensar limitações físicas.
A pesquisa reforça a ideia de cautela ao ponderar intervenções humanas. Próteses ou ajustes podem nem sempre ser benéficos, pois o animal pode encontrar soluções eficazes por conta própria.
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