Brasil alcança marco em xenotransplante com o 1º porco clonado da América Latina. Pesquisa conduzida na USP, com apoio da Fapesp, visa garantir tecnologia nacional para fornecer órgãos ao SUS. O nascimento ocorreu no IZ-Apta, em Piracicaba, interior paulista.
O primeiro clone foi gerado por edição genética e clonagem, para reduzir rejeição imunológica em transplantes humanos. Técnicas utilizam CRISPR/Cas9 para inativar genes de rejeição e inserir genes humanos em posições específicas do genoma.
O projeto envolve lideranças de 3 grupos da USP: Silvano Raia (FM), Mayana Zatz (IB), e Jorge Kalil (FM). A iniciativa começou em 2019 em parceria com EMS, ganhando escala com o XenoBR em 2022.
Avanço tecnológico
Em etapas, pesquisadores editaram o genoma de porcos para torná-los mais compatíveis ao receptor humano. Em gestação de quase quatro meses, o clone nasceu saudável, pesando 1,7 kg, sinalizando funcionamento da técnica.
Os embriões gerados foram transferidos para fêmeas híbridas, com cruzamento Landrace e Large White. Novas gestações seguem em andamento, com foco na viabilidade de produção de órgãos para xenotransplante.
Controle e infraestrutura clínica
Os porcos clonados ficarão em dois laboratórios de produção de suínos em grau clínico, com biossegurança NB2. Um espaço fica na USP, outro no Nutabes, IPT, ambos com alto controle sanitário.
O objetivo inicial é formar um plantel pequeno, com alguns casais, para reprodução natural e evolução do rebanho. Caso surjam necessidades adicionais de edição gênica, novas clonagens podem ser iniciadas.
Perspectivas e impactos
A equipe prioriza rins, córneas, coração e pele, que juntos abrangem boa parte da demanda do SUS. O Brasil busca manter tecnologia própria para evitar dependência de importações em xenotransplante.
Segundo pesquisadores, o domínio dessa tecnologia é estratégico para o sistema de transplantes público. A ideia é transformar São Paulo na capital regional do xenotransplante na América Latina.
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