O DNA de povos indígenas da América do Sul revela ligações com povos da Oceania e aponta para três ondas de migração que precederam a chegada europeia. O estudo, ainda a um estágio avançado, foi publicado na revista Nature.
A pesquisa mapeou 128 genomas completos de indígenas, com alto nível de confiabilidade, abrangendo grupos do México à Patagônia e representando grande parte do Brasil, incluindo guajajaras, tupiniquins e Suruí de Rondônia. A equipe disputou a amplitude regional do DNA.
Os pesquisadores usaram abordagens diferentes para estimar a consanguinidade e entender episódios de redução populacional ou isolamento, além de identificar variantes sujeitas à seleção natural. O objetivo foi reconstruir a história populacional com maior precisão.
Três ondas de migração
As análises sugerem três grandes dispersões rumo à América do Sul. A primeira data possivelmente acima de 15 mil anos. A segunda ocorreria por volta de 9 mil anos atrás. A terceira, com afinidade mesoamericana, seria de pelo menos 1.300 anos atrás.
A equipe aponta que as migrações ocorreram sem relação direta entre culturas territoriais distintas, ainda que haja evidências de intercâmbio por meio de plantas domesticadas, como milho e cacau, entre regiões.
Sinal Ypykuéra e seleção natural
O estudo identifica o chamado sinal Ypykuéra, presente em 1% a 3% do genoma de muitos povos. Esse conjunto de regiões mostra semelhanças com genomas da Australásia e aparece em genomas antigos encontrados no Brasil.
Observações indicam que trechos do sinal podem ter sido favorecidos pela seleção natural, envolvendo genes ligados à fertilidade, defesa e formação de vasos sanguíneos. A antiguidade sugere miscigenação pré-colonial com populações da Australásia.
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