Marte pode ter abrigado um oceano vasto, que ocupava cerca de um terço do planeta, há bilhões de anos. A hipótese surge de uma faixa plana de terra que marcaria a antiga linha costeira, semelhante a uma plataforma costeira na Terra. O estudo aponta esse recurso como vestígio mais estável do oceano.
A pesquisa, publicada na Nature, é liderada por Michael Lamb, do Caltech, e Abdallah Zaki, da UT Austin. Eles usaram simulações computacionais para visualizar a possível marca de um oceano que secou, deixando a plataforma continental como feição persistente.
Os cientistas buscaram um análogo marciano em dados do Mars Orbiter Laser Altimeter (MOLA) da Nasa. A ideia é que a plataforma, com largura entre 200 e 400 metros, seria mais resistente à erosão ao longo de bilhões de anos do que uma simples linha costeira.
A equipe também ressalta que a evidência não é definitiva: a plataforma não se parece exatamente com a da Terra, e há incertezas sobre processos como deslocamento de crosta por erupções vulcânicas. Ainda assim, representa um avanço sobre a ideia de apenas uma linha costeira.
O estudo considera que a plataforma costeira seria resultado do transporte de sedimentos por rios para o oceano e da variação do nível do mar ao longo do tempo. Em Marte, vestígios de deltas de rios e praias subterrâneas reforçam a hipótese de antiga água líquida na superfície.
Estimativas anteriores sugeriam água líquida em Marte até cerca de 2 bilhões de anos atrás. Hoje, o planeta possui água principalmente nas calotas polares, com o subsolo ainda mantendo dúvidas sobre volumes significativos de água.
O que falta para confirmar a existência do oceano é observação direta. O rover Rosalind Franklin, da Agência Espacial Europeia, segue como promessa de investigação. Lançamento previsto para 2028, pouso em 2030, no hemisfério norte, para sondar superfície e subsolo.
Essa missão terá capacidade de identificar vestígios da plataforma costeira e esclarecer se Marte abrigou de fato um oceano estável. A confirmação poderá aprofundar a compreensão sobre a evolução climática marciana e a possibilidade de ambientes habitáveis no passado.
Provação adicional virá de dados de futuras missões e análises de campo, que devem consolidar ou refutar a existência da antiga plataforma continental. Pesquisadores destacam que, mesmo com evidências parciais, o tema permanece central para o debate sobre a história hídrica de Marte.
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