Para a costa da África Ocidental, a ideia de ouro adulterado entre comerciantes europeus e povos locais ganhou força ao longo dos séculos. Um estudo recente coloca esse mito em xeque ao analisar artefatos recuperados do navio pirata Whydah Gally, que naufragou em 1717.
O navio, comandado por Samuel Bellamy, afundou perto da costa de Massachusetts durante uma tempestadeira após ter sido tomado no Caribe. O tesouro a bordo, segundo relatos da época, incluía riquezas de vários outros barcos saqueados.
A pesquisa foi publicada em Heritage Science, em março, e envolveu o estudo de 27 artefatos de ouro encontrados no Whydah. A equipe utilizou feixe de elétrons e raios X para medir a composição dos objetos, que variou de 70% a 100% de ouro.
Os itens analisados apresentam fragmentos fundidos e trabalho em fios típico do ouro Akan da África Ocidental, segundo os arqueólogos. Em alguns casos, havia prata, cobre, ferro ou chumbo como impurezas, em proporção natural para o ouro de origem regional.
A origem provável dos artefatos é Ghana, com posterior mistura de metais comum na mineração da região. Os pesquisadores destacam que o minério não é 100% puro, o que explicaria as impurezas sem indicar engano sistemático.
A equipe ressalta que a ideia de um comércio sujo entre europeus e África Ocidental não procede de forma generalizada. O estudo sugere que as impurezas estavam dentro da variabilidade natural do minério coletado na região.
O pesquisador Tobias Skowronek, da Universidade de Bonn, aponta que as evidências não sustentam a tese de adulteração deliberada para enganar compradores europeus. A antropóloga Kathleen Berzock comenta que as impurezas podem ter origem em práticas comuns de processamento de metais.
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