O Brasil alcançou um marco na biotecnologia ao clonar o primeiro porco na América Latina com o objetivo de fornecer órgãos para o SUS. O nascimento ocorreu após quase quatro meses de gestação, em laboratório da USP, em São Paulo, usando edição genética para evitar rejeição. O animal nasceu saudável pesando 1,7 kg.
O projeto envolve a equipe da USP e pesquisadores do IB-USP, com apoio da Fapesp. Técnicas de CRISPR/Cas9 foram usadas para inativar três genes suínos que geram rejeição e inserir sete genes humanos para ampliar a compatibilidade com o receptor humano. A clonagem foi acompanhada por avaliações sanitárias rigorosas.
Os embriões editados foram transferidos para fêmeas híbridas Landrace e Large White. Existem outras gestações em andamento, segundo os pesquisadores, que apontam avanço consistente no processo. Dois laboratórios de grau clínico recebem os porcos e seus descendentes, com controle sanitário elevado.
Controle rigoroso e grau clínico
Os porcos clonados serão mantidos em instalações com biossegurança NB2, criadas para produção de suínos com padrão clínico. O objetivo é evitar qualquer transmissão de patógenos para receptores humanos, assegurando condições de produção seguras.
A expectativa é formar inicialmente um plantel com alguns casais, para reprodução natural e evolução do acervo sem novas clonagens frequentes. Pesquisadores avaliam a necessidade de ajustes genéticos conforme surgirem novos dados.
Tecnologia estratégica
A equipe aponta que rim, córnea, coração e pele devem atender, juntos, 94% da demanda do SUS por transplantes. A meta é manter o Brasil como fornecedor estratégico, reduzindo dependência de importações para xenotransplante. Países vizinhos podem se beneficiar do conhecimento.
Segundo os pesquisadores, até o momento não houve aprovação regulatória para xenotransplante em nenhum país. Estudos clínicos nos EUA seguem e outros na China devem iniciar em breve, para avaliar sobrevida, segurança e eficácia dos órgãos modificados.
Entre na conversa da comunidade