O Brasil alcançou um marco na pesquisa de xenotransplantes ao criar o primeiro porco clonado da América Latina. O feito foi anunciado em 2026, fruto de anos de atuação do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante (XenoBR), da USP, em parceria com laboratórios públicos. O objetivo é desenvolver porcos geneticamente modificados para potenciais transplantes de órgãos humanos, com futura viabilidade pelo SUS.
A equipe utilizou edição genética CRISPR/Cas9 para modificar o genoma do porco. Foram inativados três genes suínos ligados à rejeição imunológica e inseridos sete genes humanos. As alterações tornam os órgãos mais compatíveis com o organismo humano, reduzindo riscos de rejeição.
O primeiro clone saudável nasceu em Piracicaba, no interior de São Paulo, no Instituto de Zootecnia. O embrião modificado foi implantado em fêmeas híbridas das linhagens Landrace e Large White, em uma gestação que exigiu várias tentativas até a conclusão bem-sucedida.
O porco clonado será mantido em dois ambientes de alta biossegurança: o campus da USP, em São Paulo, e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). As instalações foram estruturadas para minimizar riscos de transmissão de vírus e outras enfermidades.
Além do nascimento do clone, outras gestações estão em andamento. Pesquisadores projetam formar diversos casais de porcos para reprodução natural, com o objetivo de ampliar o conjunto de animais disponíveis para estudos, incluindo ajustes adicionais genéticos conforme avançam as pesquisas.
Contexto e desdobramentos
A pesquisa brasileira ocorre em um cenário internacional de xenotransplantes, com pioneiros nos EUA e China. Em 2024, o primeiro transplante de rim de porco em humano foi registrado nos Estados Unidos, destacando o estágio inicial da técnica. O XenoBR atua desde 2022 para desenvolver uma tecnologia nacional viável para o SUS no futuro.
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