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Turismo regenerativo busca recuperar ambientes degradados pela atividade

Especialistas discutem o potencial do Brasil como líder em turismo regenerativo, que integra regeneração de ambientes naturais e urbanos com participação e financiamento

A concepção do turismo regenerativo no meio acadêmico é considerada recente, mas, na prática, essa abordagem já acontecia – Foto: jcomp/Wikimedia Commons
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A discussão sobre turismo regenerativo ganha espaço no Brasil, com especialistas avaliando como o país pode ampliar esse conceito. A pauta envolve práticas que vão além da simples conservação, visando regenerar ambientes naturais e comunidades locais.

Segundo a professora Jaqueline Gil, o Brasil tem potencial para liderar esse movimento, associando turismo a oportunidades de mercado e de marketing. Ela ressalta a importância de observar a urbanização, já que mais de 80% da população reside em áreas urbanas.

A pesquisadora ressalta ainda que a regeneração de espaços urbanos vem ganhando centralidade diante da urbanização crescente. Dados do IBGE indicam 87% de habitantes em áreas urbanas, fortalecendo o eixo entre turismo e revitalização de cidades.

Turismo regenerativo não é apenas uma nova nomenclatura. Loretta Bellato, pesquisadora adjunta da Federation University, afirma que ele retoma ideias antigas de cuidado com a terra e com as comunidades, reunindo-as para repensar o turismo. Ela participou de uma Aula Magna na USP.

Diferenças entre sustentabilidade e regeneração

Para Bellato, o turismo regenerativo difere do sustentável principalmente pelo foco: saúde e bem-estar de comunidades e lugares, não apenas lucro econômico. Thiago Allis, da EACH da USP, observa que a sustentabilidade já não basta e que o turismo regenerativo oferece uma nova forma de pensar o desenvolvimento turístico.

O debate também aborda a trajetória histórica do tema. Jaqueline Gil aponta que o conceito de sustentabilidade ganhou linguagem a partir do Relatório Brundtland, de 1987, mas não transformou por completo o planejamento do turismo. Em termos de emissões, o setor ainda enfrenta gargalos relevantes.

A regeneração no turismo já acontecia antes de a ideia ganhar corpo acadêmico. Um exemplo citado é o Cristalino Lodge, na Amazônia, que financia conservação local com receitas da hospedagem. A ideia é ampliar políticas públicas para ampliar esse ciclo de recuperação.

Aplicações práticas da regeneração

A arquitetura entra como elemento da regeneração, com o Rosewood São Paulo revitalizando o complexo Cidade Matarazzo sem demolir a estrutura histórica. O objetivo é manter a memória construtiva e financiar a revitalização por meio do turismo.

A atuação pode ocorrer de duas formas: engajamento direto do visitante em ações de regeneração ou financiamento pela atividade turística. Nos dois casos, o fluxo de recursos busca, por meio do turismo, reduzir impactos ambientais.

A participação dos turistas também é exibida em iniciativas como a Biofábrica de Corais, em Pernambuco. Lá, visitantes ajudam no plantio de corais sob orientação de equipes técnicas, com desenho de atividades seguro para o público.

A paisagem brasileira já registra exemplos em que o turismo sustenta a recuperação de ecossistemas e espaços urbanos, conectando conservação, cultura e economia local. Essas experiências demonstram o potencial de o Brasil atuar como referência em turismo regenerativo.

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