O agronegócio brasileiro reduziu a capacidade de retenção de CO2 no solo, aponta um estudo recente. De 1970 até hoje, o país perdeu cerca de 5,2 bilhões de toneladas de CO2 armazenadas no solo, segundo a pesquisa realizada por pesquisadores da Esalq/USP.
Os autores destacam que lavouras e pastagens armazenam menos carbono do que a vegetação nativa. A conversão de áreas naturais para atividades agrícolas envolve revolvimento do solo, que libera carbono deforma acelerada, além de aumentar a atividade de fungos e bactérias decompositoras.
Entre os achados, a Mata Atlântica apresenta solos com 154% a mais de carbono por hectare que o Pantanal, e 62% a mais do que a Caatinga. Dentre os motivos, o clima mais frio da Mata Atlântica reduz a decomposição, enquanto as altas temperaturas da Caatinga elevam a atividade microbiana; o Pantanal tem solos pobres e arenosos.
O estudo também aponta que a monocultura agride mais a retenção de carbono, devido ao uso intensivo de máquinas e ao revolvimento constante do solo, que aumenta as liberações de CO2. Em contraste, culturas em sucessão e o plantio direto ajudam a manter matéria orgânica no solo.
Para mitigar parte do efeito da agropecuária, o trabalho recomenda práticas como a sucessão de culturas, que reduz a aração, e o plantio direto, que mantém palha na superfície para proteger o solo e reduzir a temperatura, contribuindo para maior retenção de carbono.
Em síntese, o solo mais coberto tende a ficar mais frio, favorecendo a retenção de carbono. O estudo intitulado Soiles carbon debt from land use change in Brazil embasa as conclusões apresentadas.
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