A pesquisa, publicada na Science Advances, propõe construir uma barragem no Estreito de Bering para estabilizar a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico, a Amoc. A ideia surge em cenários simulados por cientistas holandeses, diante de riscos crescentes de colapso da corrente. O Estreito liga Pacífico e Ártico entre Rússia e Alasca.
Pesquisadores da Universidade de Utrecht, Jelle Soons e Henk A. Dijkstra, usaram modelos climáticos para testar diferentes estados do oceano. Em alguns cenários, o fechamento do estreito manteria a Amoc estável mesmo com aumento do carbono na atmosfera. Em outros, haveria maior vulnerabilidade da corrente.
A equipe afirma tratar-se de prova de conceito. O momento da intervenção é crucial: fechar o estreito cedo poderia favorecer a circulação, enquanto fazê-lo após o enfraquecimento da Amoc poderia agravar o problema. Detalhes sobre o desenho da barragem não foram avaliados no estudo.
Viabilidade, impactos e limitações
Mesmo que a construção fosse tecnicamente viável, sua implementação esbarra em desafios práticos. O Estreito de Bering tem cerca de 80 quilômetros de largura e fica em região remota com infraestrutura limitada. Mudanças nas correntes e na salinidade poderiam afetar ecossistemas e a rota migratória de mamíferos marinhos.
Há ainda preocupações sobre a busca de soluções tecnológicas como esta, que poderiam distrair do objetivo central: reduzir emissões de gases de efeito estufa. Para Soons, a barragem seria uma medida de último recurso, caso falhem estratégias de mitigação climática.
Ao The New York Times, os pesquisadores destacaram que o estudo não detalha a engenharia necessária nem as consequências para pesca e tráfego. O jornal aponta que a barragem exigiria grande escala, comparável a grandes diques existentes, e não seria fácil reajustar ou desmontar posteriormente.
Outras perspectivas ressaltam incertezas sobre o quão perto a Amoc está de colapsar. Projeções variam quanto ao prazo, com riscos potenciais diferentes conforme cenários de aquecimento global. Cientistas lembram que ainda faltam evidências robustas para confirmar a viabilidade dessa intervenção.
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