Um grupo internacional de pesquisadores, com participação de universidades norte-americanas e do Instituto Max Planck, identificou fungos que podem influenciar a formação de chuvas. O estudo foi publicado na revista Science Advances. A pesquisa mostra que fungos da família Mortierellaceae produzem proteínas que congelam água em temperaturas próximas a -5 °C, o que pode levar água à atmosfera.
Os cientistas analisaram o genoma desses fungos e encontraram um gene muito similar ao InaZ, conhecido por atuar na formação de gelo em bactérias. Experimentos com transferência desse gene para leveduras fizeram com que elas ganhassem a capacidade de congelar água, sinalizando uma possível origem por transferência horizontal de genes.
Essa descoberta sugere que fungos ancestrais teriam adquirido esse traço ao longo da evolução. Uma hipótese é que, em líquens — associações entre fungos e algas que vivem em ambientes com pouca água — a formação de gelo ajudaria a capturar umidade do ar.
Mecanismo e comparação
Bactérias formadoras de gelo, como a Pseudomonas syringae, já são associadas ao ciclo da água e à precipitação, ao facilitar a liberação de nutrientes ao danificar tecidos vegetais. A nova pesquisa indica que proteínas nucleadoras de gelo de fungos podem seguir caminho similar ao serem transportadas pelo vento até a atmosfera.
Os pesquisadores ressaltam que ainda não é possível confirmar qual vantagem evolutiva a formação de gelo oferece aos fungos. A hipótese é que o processo ajude os líquens a obter umidade mais eficientemente, especialmente em condições de ar seco.
Implicações e aplicações
Além de esclarecer o papel dos fungos no ciclo da água, o estudo aponta aplicações potenciais. Técnicas de semeadura de nuvens atualmente utilizam iodeto de prata, tóxico, para estimular precipitação. As proteínas dos fungos poderiam oferecer alternativa mais sustentável, caso se aprenda a produzi-las em escala.
Os autores sugerem que, se for possível reproduzir esse mecanismo, as proteínas nucleadoras de gelo poderiam servir como ferramenta ambiental futura para manejo de chuva, com menor impacto químico. A equipe afirma que novas pesquisas são necessárias para entender plenamente as implicações climáticas.
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