O esqueleto de um elefante de 125 mil anos, perfurado por uma lança de madeira, foi encontrado no leito de um antigo lago na Alemanha, em 1948. A descoberta levantou dúvidas sobre a capacidade dos neandertais de caçar animais de grande porte.
Análises iniciais consideraram que a lança poderia ter sido colocada ali por processos geológicos, não por pessoas. Por quase oito décadas, o achado foi visto como uma curiosidade, não como evidência de caça organizada.
Nova leitura publicada pela revista Nature reabre a discussão. O estudo aponta marcas de ferramentas no esqueleto, indicando morte e desmembramento premeditados, e não acidente geológico.
Novo estudo
Ivo Verheijen, zooarqueólogo e principal autor, afirma que a evidência foi negligenciada por anos. Segundo ele, ninguém procurava por sinais de abate, o que explica a falta de interpretação anterior.
O elefante era um macho de cerca de 30 anos, com aproximadamente 4 metros de altura, abatido com uma lança de teixo de 2,4 metros cravada entre as costelas. A arma aponta para um combate próximo, não para uma captura à distância.
Modos operandi
Os autores inferem planejamento: o animal seria capturado em um ambiente próximo a um lago, com o uso coordenado de ferramentas para desmembrar a presa de forma controlada. As marcas de corte dentro da cavidade torácica sugerem retirada sistemática de órgãos.
Descobertas adicionais incluem dezenas de lascas de sílex e restos de ursos, castores e auroques no local. Estima-se que os caçadores reuniram cerca de 3.500 kg de carne, gordura e órgãos, suficientes para alimentar uma comunidade por uma temporada.
Entre na conversa da comunidade