O que aconteceu? Um estudo recente, publicado no BMJ, analisou dados de mais de 559 mil adultos para investigar se o consumo de álcool em pequenas quantidades protege o cérebro. O trabalho combinou dados observacionais com análise genética.
Quem está envolvido? Pesquisadores liderados por equipes de dois grandes bancos de dados: o Million Veteran Program dos EUA e o Biobanco do Reino Unido. A amostra incluiu pessoas com idades entre 56 e 72 anos, acompanhadas ao longo do tempo.
Quando e onde ocorreu? A pesquisa utilizou dados de fontes internacionais já consolidadas e foi publicada em 2025, com base em registros de saúde de bancos de dados de grande escala. O estudo não indicou um nível seguro de consumo.
Por que e como foi feito? A abordagem incluiu análise genética para avaliar a predisposição ao alcoolismo e à demência, além de dados observacionais. O objetivo foi testar se há relação linear entre consumo problemático de álcool e risco de demência, sem considerar apenas associações.
Estudo: relação entre alcoolismo e demência
A análise mostrou que quanto maior a propensão ao consumo problemático, maior o risco de demência. Um aumento de duas vezes na probabilidade de alcoolismo foi associado a cerca de 16% a mais de chance de desenvolver a doença neurodegenerativa.
Essas descobertas contrastam com a ideia de curva em U, onde moderados teriam menor risco. Os pesquisadores destacam que o padrão observado é linear, sem evidência de nível mínimo seguro de ingestão alcoólica para reduzir risco.
Limitações e considerações
Especialistas ressaltam limitações do estudo, como a menor diversidade genética da amostra. O neurologista Augusto Penalva de Oliveira aponta que a vulnerabilidade individual tende a amplificar o efeito do álcool sobre o cérebro.
A Organização Mundial da Saúde reforça que não existe dose completamente segura de álcool. O consumo está ligado a mais de 200 doenças, com risco variando conforme quantidade, frequência, idade, sexo e condições de saúde.
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