Um estudo liderado por Erik Cordes revelou o que pode ser um dos maiores recifes de coral de água fria já descobertos no mundo, próximo à Argentina. A equipe localizou a formação durante duas expedições a bordo do navio de pesquisa R/V Falkor, em julho de 2025 e entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a cerca de 1.000 metros de profundidade, ao longo de 900 quilômetros de águas territoriais argentinas. A descoberta ocorreu sem documentação prévia na região.
Um dos montes de coral, sob o fundo do oceano, ocupava uma área de 0,4 quilômetros quadrados, aproximadamente do tamanho do Vaticano. Os pesquisadores identificaram que o recife é composto pela espécie rara Bathelia candida, diferente do que costuma predominar em recifes de água fria no Atlântico, dominados por Lophelia pertusa. A equipe mapeou muitos outros morros de coral ao longo do trajeto de 900 km estudado.
Ecossistema e diversidade
A coleta de amostras de DNA ambiental, liderada por Santiago Herrera, da Lehigh University, indicou grande riqueza de vida além dos corais. Entre os habitantes estiveram lagostins-municipais, lulas de vidro e estrelas-brancas, com cerca de 40 novas espécies em estudo ainda não divulgadas. A equipe destacou a alta densidade de vida, surpreendente para regiões de águas profundas onde a disponibilidade de alimento é limitada.
Entretanto, os pesquisadores observaram sinais de impactos da atividade pesqueira, como linhas de pesca e lixo entre os corais, além de danos a áreas de recife possivelmente causados por arrasto. Há também preocupações sobre possível exploração de petróleo e gás na região, o que poderia afetar o ecossistema. Os cientistas ressaltam que áreas tão férteis não estão livres de atividades humanas.
Esforços de restauração e próximos passos
Além do mapeamento, Cordes e Morgan Will, doutorando em biologia, trabalham em métodos para restaurar partes do recife danificadas. Entre as abordagens estão a instalação de substratos para facilitar a fixação de larvas de coral e a criação de corais artificiais em impressoras 3D, com materiais compatíveis ao ambiente marinho.
Os pesquisadores planejam testar fragmentação de corais e transplante em substratos no próximo ano. Cordes já participa de iniciativas semelhantes no Golfo do México, em resposta a danos causados por derramamento de petróleo, buscando acelerar a recuperação de recifes de água fria.
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