O estudo mostra que a exposição de salmão-atlântico jovens a cocaína e ao seu metabólito benzoylecgonina altera seus padrões de movimento na natureza. Realizado com salmonídeos criados em viveiros, o experimento ocorreu ao longo de oito semanas no Lago Vättern, na Suécia, onde os peixes são liberados anualmente para pesca recreativa.
A equipe de pesquisa, liderada pelo ecologista Jack Brand, avaliou três grupos de 35 peixe cada: cocaína, benzoylecgonina e controle. As concentrações médias por peixe ficaram em 43 ng/g para cocaína e 34 ng/g para benzoylecgonina. Os níveis são consistentes com o que se observa em áreas afetadas por efluentes urbanos.
Movimento e dispersão
Durante o período, os peixes expostos nadaram mais longe e com maior abrangência que o grupo de controle. O benzoylecgonine revelou efeitos mais fortes, com deslocamento semanal até 1,9 vez maior e dispersão de até 12,3 quilômetros a mais pela lagoa. O resultado indica maior entrada em habitats potencialmente inadequados e maior gasto de energia.
Implicações para ecossistemas
Os autores destacam que o movimento influencia o acesso a habitats, alimento, predadores e energia disponível para crescimento. A presença de metabolito inativo em humanos preocupa porque é mais frequente nas vias de água do que a cocaína, podendo ter impacto maior na fauna aquática.
Contexto e recomendações
Os pesquisadores sustentam que poluentes de drogas ilícitas chegam aos cursos d’água após consumo humano e passagem por estações de tratamento, que não eliminam totalmente as substâncias. O estudo enfatiza a necessidade de melhorias no tratamento de esgoto e de monitoramento ambiental mais amplo de compostos originais e de seus metabólitos.
A pesquisa, publicada na Current Biology, reforça que os efeitos observados em laboratório também podem ocorrer no ambiente natural, orientando políticas para reduzir a poluição por drogas e proteger a biota aquática.
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