In Flores, Guatemala, rangers encontraram indícios de desmatamento ilegal na reserva de Maya, após patrulharem a região em março. Fezes de aves caídas e trilhas abertas guiaram a descoberta de um clareamento de 2 hectares, onde supostos invasores planejavam se estabelecer.
O desmatamento ocorreu cerca de oito dias antes da passagem dos patrulheiros. Mesmo com armadilhas, câmeras e outras tecnologias, a detecção em tempo real não foi possível, dificultando a resposta rápida.
A iniciativa integra a Maya Biosphere Reserve, que abrange 2,2 milhões de hectares no norte do país, sob pressão de pecuária e exploração madeireira ilegal. A rapidez na atuação continua sendo um desafio para conservacionistas.
A Wildlife Conservation Society (WCS) lidera o projeto, buscando reduzir o tempo de resposta com dispositivos de bioacústica. Eles “ouvem” atividades ilegais como corte de árvores, caça e outros crimes ambientais.
A proposta é financiada pelo AI for Climate and Nature Grand Challenge, no âmbito de um programa de US$ 100 milhões promovido pelo Bezos Earth Fund. A iniciativa também terá uma segunda fase no Pantanal, no Brasil.
A parceria envolve a Cornell University, Lab of Ornithology, Chemnitz University of Technology e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. A equipe recebeu até US$ 2 milhões como prêmio.
Segundo Jeremy Radachowsky, da WCS Mesoamérica, os sensores proporcionam ouvido remoto para detectar ameaças de forma mais rápida e eficiente. A ideia é combinar dados acústicos com outras fontes.
O uso de bioacústica já ocorre há cerca de três anos na reserva, mas com tecnologia mais simples. Os novos dispositivos utilizam IA para reconhecer sons de armas, motosserras e motores humanos.
A expectativa é treinar o modelo com dezenas de sons, incluindo ruídos de ambiente. Retornos de áudio, localidade e tempo ficarão disponíveis para rangers e pesquisadores via satélite.
Especialistas ressaltam que a detecção precisa depende da qualidade dos dados. Ruídos naturais e sons de fauna podem interferir, exigindo validação no terreno.
Os dispositivos devem ser instalados em parques e concessões da reserva, onde há pressão de atividades ilegais. A logística, com distâncias e a temporada de chuvas, é o maior obstáculo.
Apesar dos desafios, a equipe aposta na fusão de dados: som, imagens de câmeras, drones, imagens de satélite e observação humana. A integração deve oferecer visão mais completa do ambiente.
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