Aumentar em 10% o consumo de alimentos ultraprocessados pode elevar o risco de demência, mesmo com uma dieta saudável rica em vegetais, indica estudo recente. A pesquisa avaliou padrões alimentares e resultados cognitivos em adultos.
Os ultraprocessados representam mais da metade das calorias nos EUA, segundo dados do CDC. Entre crianças, o índice chega a quase 62%. A associação observada aponta pior desempenho de atenção e maior probabilidade de demência em meia-idade e na terceira idade.
A autora principal, Barbara Cardoso, professora da Universidade Monash, ressalta que o estudo mostra correlação, não causalidade. A relação persiste mesmo com adesão a dietas como a mediterrânea, sugerindo que o processamento dos alimentos, e não apenas a qualidade da dieta, é o fator relevante.
A pesquisa foi publicada na revista Alzheimer’s & Dementia e envolveu mais de 2.100 australianos de 40 a 70 anos. Para cada aumento de 10% no consumo de ultraprocessados, houve queda na capacidade de foco e aumento estimado do risco de demência ao longo de 20 anos.
Especialistas ouvidos pelo estudo destacam a importância de hábitos alimentares ao longo da vida. Dietas com grãos integrais, frutas, vegetais e azeite continuam associadas a menor incidência de doenças crônicas e de declínio cognitivo.
Perspectivas e medidas
Especialista de Harvard ressalta que os dados se somam a evidências de que maior ingestão de ultraprocessados está ligada a pior desempenho mental. Reduzir a presença desses itens pode trazer benefícios ao cérebro, especialmente na meia-idade.
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