O cometa interestelar 3I/Atlas, detectado ao atravessar o sistema solar em julho, teve sua composição estudada por meio do radiotelescópio ALMA, no Chile. As observações apontam que o objeto se formou em um ambiente muito diferente do nosso, com abundância de deutério muito maior que a água terrestre.
A análise inicial, publicada em Nature Astronomy em 23 de abril, indica que o 3I/Atlas pode ter até 11 bilhões de anos. O cometa teria se originado em um sistema planetário extremamente frio, muito além das temperaturas vividas na formação do nosso sistema solar.
Evidências de composição e ambiente de formação
As medições com ALMA revelaram deutério na água do cometa, marcação de HDO. A abundância de deutério seria mais de 40 vezes superior à dos oceanos da Terra e mais de 30 vezes superior à de cometas do sistema solar.
Os pesquisadores apontam que o enriquecimento em deutério ocorre em nuvens moleculares frias do espaço interestelar, associadas à formação de sistemas estelares. O ambiente de formação do 3I/Atlas teria temperaturas abaixo de 30 K (-243,14°C).
Implicações e contexto científico
Os dados sugerem que o cometa se formou em regiões externas de um disco protoplanetário ao redor de uma estrela, preservando a água deuterada ao longo de bilhões de anos. A presença de dióxido de carbono também é compatível com esse cenário externo.
A pesquisa reforça a ideia de que objetos interestelares são cápsulas do tempo, trazendo material de ambientes onde outros sistemas planetários se formaram. A observação de deutério no 3I/Atlas abre caminho para entender condições da Via Láctea antes da formação do nosso sistema solar.
Observação e alcance da pesquisa
O ALMA foi crucial por permitir observar o cometa próximo ao periélio, quando ele estava a cerca de 203 milhões de quilômetros do Sol. Nesse momento, o gelo do objeto sublimou e gerou sinais de gás detectáveis.
Os cientistas destacam que ainda é improvável determinar de qual sistema planetário o 3I/Atlas se originou. Mesmo assim, o estudo oferece insights valiosos sobre a diversidade de ambientes de formação planetária no universo.
Considerações finais sobre o impacto científico
Especialistas enfatizam que os cometas interestelares ajudam a entender a evolução da Via Láctea e a formação de planetas ao longo do tempo. A expectativa é que futuras observações, como as do Observatório Vera C. Rubin, aumentem a frequência de detecção de such objetos.
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