A partir de uma pergunta que parece de ficção científica, um estudo conduzido no Colégio Militar de Manaus tenta conectar som e Alzheimer. O projeto MeMO, iniciado em 2024, testa se ondas binaurais podem influenciar processos celulares associados à doença.
A pesquisa combinou duas frentes: computacional e experimental com células humanas. Na parte teórica, avaliou como as ondas sonoras diferidas atingem regiões do cérebro e analisou redes moleculares ligadas ao Alzheimer.
Sob orientação do professor Roberto Alexandre Alves Barbosa Filho, o MeMO envolve estudantes do Colégio Militar de Manaus. A iniciativa contou com apoio da Universidade Federal do Amazonas e da Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial do Exército.
Desenvolvimento e resultados
Em laboratório, foram realizados testes de exposição a ondas binaurais em células humanas, com avaliação de citotoxicidade e metabolismo celular. O protocolo mostrou toxicidade inferior a 8%, indicando segurança nas condições estudadas.
Além disso, houve queda na expressão de genes associados ao Alzheimer após uma hora de exposição, medida por RT-qPCR. Os resultados, ainda preliminares, apontam para um possível efeito biológico relevante, sujeito a validação.
O trabalho foi apresentado na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), onde garantiu o segundo lugar na categoria Ciências da Saúde e credenciamento para a Regeneron ISEF, em Phoenix, Arizona.
Equipe, parcerias e próximos passos
O MeMO recebeu suporte da UFAM, do Colégio Militar de Manaus e do Exército, com financiamento da Bemol e de seu diretor Denis Minev. Integraram a equipe Isabela Rogério, Guilherme Pansini, e hoje estão Nina Pitch e Costa Júnior.
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