O encalhe em massa de 55 baleias-piloto na Ilha de Lewis, Escócia, em julho de 2023, é alvo de nova pesquisa. O episódio é considerado um dos maiores já registrados na região europeia. As baleias, com mais de 7 metros e até 3 toneladas, morreram após ficarem presas na costa.
A investigação inicial apontou um possível gesto coletivo de proteção, típico do comportamento social das baleias-piloto. Cientistas sugeriram que o grupo pode ter seguido uma fêmea em parto complicado, o que teria levado ao encalhe durante a tentativa de ajudar. Distocia foi citada como hipótese.
A dieta das baleias-piloto
Um estudo publicado em 29 de abril na revista PLOS One reconstruiu a alimentação das 55 baleias nas semanas que antecederam o ocorrido. Pesquisadores do SMASS e da Universidade de Glasgow analisaram isótopos de carbono e nitrogênio no tecido da pele para definir dieta e áreas de forrageamento.
As amostras indicaram que as baleias estavam em boas condições nutricionais no momento da morte, alimentando-se ao longo da borda e do talude da plataforma continental, área de águas mais profundas que atrai peixes e lulas na primavera e no verão. Este é o primeiro indício direto de uso sazonal dessas áreas pelos animais.
Apesar da boa condição nutricional, os investigadores encontraram estômagos vazios, o que levanta questões sobre a atividade de busca por alimento imediatamente antes do encalhe. A equipe aponta que habitats próximos à costa, cada vez mais rasos, podem expor as baleias a maiores riscos de encalhe ao buscar alimento.
O estudo destaca o significado das isótopias estáveis para entender ecologia trófica de cetáceos e orientar estratégias de conservação. Os pesquisadores ressaltam a importância de dados sobre dieta para aprimorar a gestão de mamíferos marinhos na região.
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