Um possível surto de hantavírus pode ter provocado três mortes e três adoecimentos a bordo de um cruzeiro que saiu da Argentina com destino a Cabo Verde. O caso está sendo acompanhado pela OMS, que confirma um caso confirmado e investiga os demais cinco.
O hantavírus é comum em países como o Brasil e é transmitido por roedores silvestres. A doença pode evoluir da síndromes iniciais, com dor de cabeça e febre, para quadros graves de insuficiência cardíaca e respiratória. A forma mais comum na região é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus.
O vírus pertence ao gênero Orthohantavirus e se dissemina pela urina, fezes ou saliva de animais infectados. A transmissão acontece principalmente quando pessoas perturbam áreas com poeira contendo o material viral, que pode ser inalado. Ratos urbanos costumam estar ligados a outras hantaviroses, menos associadas ao hantavírus.
A maioria dos casos no Brasil ocorre em áreas rurais, respondendo por cerca de 70% das ocorrências. Existem mais de 200 espécies de roedores que podem hospedar o agente, o que aumenta a importância de evitar contato com esses animais. A transmissão entre humanos é rara.
A fase inicial dura 3 a 5 dias e envolve dor de cabeça, febre, dor no corpo e sintomas gastrointestinais. Na fase avançada, surgem tosse, dificuldade respiratória, queda de pressão arterial e edema pulmonar, podendo exigir internação. Sintomas específicos variam na América do Sul.
Segundo o pneumologista Carlos Carvalho, a infecção pode variar de leve a grave, sem que se conheça exatamente o que determina o desfecho. Fatores como genética ou carga viral inalada devem influenciar a gravidade do quadro.
Não há vacina eficaz contra o hantavírus nas Américas. A prevenção foca em evitar o contato com roedores e seus resíduos, vedar a entrada de roedores em ambientes, manter alimentos protegidos e manter áreas limpas. Medidas incluem ventilação prévia, desinfecção com solução de água sanitária e uso de EPIs.
Ao limpar locais potencialmente contaminados, recomenda-se ventilar por 30 minutos antes, evitar varredura ou uso de aspiradores, e usar luvas. A desinfecção deve ocorrer com água sanitária diluída ou detergente, para reduzir riscos de aerossolização.
No caso citado do navio, há ainda a preocupação com a contaminação de alimentos armazenados em porões. Experts orientam lavar bem frutas, bebidas em lata e as mãos, para eliminar qualquer traço viral que possa permanecer em itens manuseados.
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