Milton Santos, pioneiro da geografia crítica, completaria 100 anos nesta semana. O baiano de Brotas de Macaúbas recebeu em 1994 o prêmio internacional Vautrin Lud, considerado o Nobel da geografia, sendo o único latino-americano a ser laureado.
Reconhecido mundialmente, ele é visto como referência que transcende a geografia. Pesquisadores destacam que sua obra ajuda a entender o Brasil e o mundo globalizado, indo além da disciplina ao dialogar com ciências sociais.
Nascido em Chapada Diamantina, Milton estudou direito na Bahia, lecionou em várias instituições e viveu exílios que moldaram sua visão crítica. Sua trajetória levou à formulacão de uma leitura alternativa do espaço.
Quatro Brasis
Milton Santos propôs uma regionalização do Brasil em quatro Brasilis, com base em infraestrutura, redes de informações, mercadorias e capitais. A Amazônia seria a região menos densamente urbanizada; a concentrada, Sul e Sudeste, com maior desenvolvimento.
O Nordeste apareceria como área de dependência do turismo e da indústria na Zona da Mata, enquanto o Centro-Oeste concentraria agropecuária e tecnologia equivalente à região central. A ideia aponta diferenças entre governos, elites e economias regionais.
Segundo o geólogo Marco Moraes, a teoria revela conflitos e dinâmicas entre estados, destacando desigualdades físicas e humanas que moldam a vida das populações locais.
Biografia e trajetória
Santos iniciou a vida profissional no magistério e escreveu o livro Zona do Cacau, a partir da experiência no interior baiano. Em Salvador, lecionou na universidade e completou doutorado em Estrasburgo, na França, em 1958.
O golpe de 1964 o levou ao exílio na França, depois Canadá e EUA, onde publicou O Espaço Dividido (1979). Trabalhou em Cuba, Venezuela, Peru e Tanzânia, consolidando uma visão global das cidades e da pobreza.
Retornou ao Brasil na segunda metade dos anos 1970, contribuiu com projetos de planejamento e passou a lecionar na USP. Sua obra, que revisita a globalização, é citada como base para entender desigualdades entre centro e periferia.
Legado e recepção internacional
Especialistas atualizam que a abordagem de Santos permanece relevante para interpretar o espaço geográfico como resultado de sistemas de objetos e ações. A obra estimula análises interdisciplinares e políticas públicas voltadas à justiça espacial.
Estudos em inglês ampliaram o alcance da produção dele, com traduções de Por Uma Outra Globalização e outras obras. Pesquisadores destacam o papel de Milton Santos na crítica ao neoliberalismo e na defesa de uma globalização mais humana.
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