A nova pesquisa aponta que a sobrevivência de aves em florestas tropicais não depende apenas do tamanho dos remanescentes, mas também do tipo de ambiente ao seu redor. Fragmentos isolados em entorno terrestre mostram menor risco de extinção local do que os situados em reservatórios.
O estudo analisou 1.005 fragmentos de floresta tropical e subtropical, com mais de 39 mil registros de 1.954 espécies de aves, em bases de dados de várias instituições ao redor do mundo. Foram excluídas ilhas oceânicas da amostra, comparando matrizes terrestres e aquáticas.
A investigação, publicada na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) em março, revela que o entorno terrestre favorece a permanência de espécies. Em contraste, ilhas de floresta em reservatórios apresentam maior perda de espécies e elevação da extinção local.
Metodologia e alcance do estudo
Coordenado por Anderson Saldanha Bueno, do Instituto Federal Farroupilha (RS), o trabalho utiliza avifauna total e um subconjunto de espécies dependentes de floresta. O objetivo é compreender como a paisagem circundante impacta a relação espécies–área.
Segundo Bueno, o estudo define a importância de comparar dois tipos de matrizes e de considerar espécies de aves como grupo único. A equipe ainda observou que, para fragmentos pequenos, a proximidade de outros fragmentos terrestres é especialmente relevante.
Implicações para políticas de conservação
Luís Fábio Silveira, curador da coleção de aves da USP, afirma que os resultados ajudam a embasar políticas públicas de conservação. Matrizes terrestres que favoreçam trânsito e conectividade elevam a eficácia de unidades de conservação em contextos rurais ou urbanos.
O estudo sugere que, além do tamanho do fragmento, a qualidade do entorno deve ser considerada na elaboração de estratégias de preservação. O próximo passo é diferenciar o tipo de paisagem ao redor — pastagens, cultivos ou vegetação em regeneração.
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