A pirâmide de Koh Ker, no Camboja, revela um sistema de ar-condicionado natural que mantinha câmaras reais frescas mesmo com temperaturas acima de 40°C. A descoberta vem de estudos que analisam o complexo com foco em engenharia térmica antiga.
Arqueólogos utilizaram LiDAR para mapear estruturas internas e o entorno da construção, atravessando a vegetação. O levantamento identificou dutos verticais e canais subterrâneos ocultos por séculos de sedimento e rocha.
Sensores digitais reconstruíram o layout das cavidades, funcionando como chaminés térmicas no interior da rocha. Isso permitiu simular o fluxo de ar original e confirmar uma estratégia de climatização deliberada para a época.
Componentes técnicos
A ventilação se baseia na convecção: ar quente sobe, ar frio é puxado de áreas inferiores. Dutos conectam-se a bacias de água externas para promover resfriamento evaporativo antes que o ar entre nas câmaras reais.
Entre os elementos, destacam-se dutos verticais que cruzam os sete níveis, canais de drenagem ligados ao reservatório central Rahal, câmaras de expansão e aberturas de teto que favorecem a sucção térmica.
Desempenho e impacto regional
As câmaras internas mantinham cerca de 24°C, mesmo com 40°C externo. Blocos de arenito e laterita, aliados a fluxo de ar constante, criavam um microclima estável para rituais e tesouros.
Estudos comparam áreas externas, entrada, sala do trono e base subterrânea, mostrando variações entre 42°C externo e 22°C subterrâneo, com diferentes mecanismos de resfriamento em cada espaço.
Relevância histórica
Especialistas destacam que o domínio termodinâmico Khmer permitiu monumentos cada vez maiores na região. Koh Ker influenciou técnicas de construção em templos como Angkor Wat, segundo análises apoiadas por organismos internacionais sob a ótica de manejo hídrico e bem-estar.
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