De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), três mortes foram registradas em um cruzeiro que partiu de Ushuaia, na Argentina, com destino ao arquipélago de Cabo Verde. Ao menos cinco passageiros apresentaram diagnóstico positivo para hantavirose, doença viral de alta letalidade. Autoridades monitoram 29 pessoas que teriam deixado o navio antes da confirmação da primeira vítima.
O vírus em questão é o Orthohantavirus andesense, conhecido como Andes vírus, que circula principalmente no Chile e na Argentina. O principal reservatório na natureza é o camundongo silvestre Oligoryzomys longicaudatus, comum na região sul do continente. O cruzeiro MV Hondius, com origem em Ushuaia, permanece sob vigilância epidemiológica.
A hantavirose é uma zoonose; o vírus pode ser transmitido entre espécies e, em alguns casos, entre seres humanos. A transmissão entre pessoas ocorre principalmente por via respiratória, especialmente em ambientes fechados e com exposição a secreções de pessoas infectadas. A probabilidade de transmissão depende da interação entre roedores, humanos e condições de confinamento.
Contágio e riscos
Apesar de rara, a hantavirose apresenta letalidade acima de 46% entre os infectados, segundo especialistas. Fatores de risco incluem convivência prolongada com roedores em áreas rurais, com exposição a fezes ou urina de roedores. No caso do Andes vírus, a transmissão entre pessoas pode ocorrer por aerossol de secreções respiratórias.
Hospitais e vigilância sanitária ressaltam que o Brasil registra surtos esporádicos de hantavirose, com maior concentração de casos rurais. Até 2024, foram registrados 2.377 casos e 937 mortes, predominando em áreas rurais, segundo dados oficiais.
Os especialistas ressaltam que o risco de disseminação do surto a bordo é avaliado como baixo pela OMS. Autoridades de saúde reforçam a monitorização do caso, com medidas de contenção e investigação contínua para evitar novas transmissões.
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