Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP, publicada na capa da Nature Microbiology de abril, indica novos comportamentos da febre amarela no Brasil. O estudo traz evidências sobre a transmissão do vírus por mosquitos e a vulnerabilidade de primatas não humanos.
Durante o surto ocorrido entre 2017 e 2018, no Estado de São Paulo, o parque estadual Alberto Löfgren, o Horto Florestal, foi identificado como um dos epicentros. Os pesquisadores registraram alta densidade de bugios sensíveis ao vírus, além da presença dos mosquitos transmissíveis.
Contexto científico e metodologia
A equipe reuniu amostras de carcaças de primatas atingidos pela doença e contou com apoio de primatólogos e veterinários. Amostras de mosquitos foram preservadas em nitrogênio para manter a integridade, permitindo análises metagenômicas.
A partir dos dados, os pesquisadores realizaram modelagem filogenética para acompanhar mutações do vírus em tempo real e descrever como a doença evoluiu ao longo do surto.
Velocidade de transmissão e implicações
A análise estimou o R0, indicador do poder de contágio, em torno de 8, observando que um macaco doente pode transmitir o vírus a outros macacos. Esse valor é significativamente superior ao observado no início da pandemia de COVID-19, que ficou próximo de 3.
A pesquisadora Ester Sabino ressalta que o sequenciamento genético, por si só, não basta. Ela enfatiza a necessidade de vigilância contínua de animais e de monitoramento regional para orientar ações de saúde pública.
Caminhos para enfrentamento
A equipe destaca que a vigilância integrada envolve monitoramento de animais, coleta de dados e resposta rápida aos sinais de risco. Além disso, reforça a importância da vacinação, especialmente para moradores de áreas de risco, para evitar a reurbanização da doença e novos surtos.
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