A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um alerta sobre o uso de whey protein e creatina por crianças e adolescentes saudáveis. O documento aponta riscos à saúde infantil e afirma que não há indicação para uso rotineiro desses suplementos na infância. A repercussão ocorre em meio a influências de cultura fitness nas redes sociais.
Segundo o Departamento Científico de Nutrologia da SBP, não existe evidência científica que motive o uso regular desses produtos na infância. O alerta coincide com episódios de comunicação pública que ganharam atenção nas redes sobre suplementação na primeira infância.
O caso que impulsionou o debate envolve uma influenciadora fitness que mencionou, em podcast, adicionar whey protein à mamadeira de uma filha de três anos. A situação levantou questões sobre limites do uso de suplementos na infância e motivou a comunidade médica a esclarecer orientações.
Por que o whey protein pode ser prejudicial para crianças
O organismo em desenvolvimento exige cuidado com a excessiva proteína. Rins e fígado precisam trabalhar mais para metabolizar o excesso, o que pode gerar sobrecarga nesses órgãos. A SBP afirma que há risco de sobrecarga renal, alterações hepáticas e desequilíbrios metabólicos.
Estudos associam potenciais efeitos adversos renais, hepáticos e metabólicos ao consumo crônico de proteína em excesso. O problema está na sobrecarga das vias de metabolização e excreção de componentes nitrogenados.
O que tem dentro desses suplementos?
A SBP ressalta que muitos produtos contêm aditivos além da proteína. Corantes, conservantes, emulsificantes, aromatizantes e adoçantes artificiais são comuns na composição de suplementos vendidos para crianças.
Esses componentes ampliam a distância entre alimentação saudável e suplementação infantil. A abordagem de alimentação deve priorizar alimentos in natura, com menor uso de ultraprocessados.
Impactos além do físico
A SBP também preocupa os efeitos emocionais e comportamentais do uso precoce de suplementos. Crianças podem desenvolver relação inadequada com a alimentação, preocupação com aparência e concepções distorcidas sobre corpo e saúde.
Substituir refeições por shakes pode prejudicar hábitos alimentares saudáveis, já que comer envolve afeto, convivência e aprendizado alimentar. A equipe médica reforça a importância de hábitos alimentares naturais na infância.
Alimentação natural já supre as necessidades
Uma dieta variada, baseada em alimentos in natura, costuma fornecer proteína suficiente para o crescimento saudável. A SBP afirma que crianças saudáveis não precisam de suplementos para o desenvolvimento adequado.
Fontes proteicas recomendadas incluem carnes, ovos, laticínios, leguminosas, cereais integrais, tubérculos, frutas e hortaliças. A orientação é evitar a suplementação indiscriminada na infância.
Quando a suplementação é indicada
Há situações clínicas em que suplementos podem ser considerados, como desnutrição, doenças crônicas, síndromes de má absorção ou maior demanda metabólica. Nessas situações, o uso deve ser individualizado e acompanhado por profissional de saúde.
A recomendação é clara: crianças e adolescentes saudáveis não devem usar whey protein ou creatina na rotina. Pais devem consultar o pediatra antes de seguir tendências da internet.
Considerações finais da SBP
A SBP reforça que a infância não deve ser vinculada a lógicas de performance estética. Exposição precoce a conteúdos que normalizam o consumo diário de suplementos não é apropriada. A orientação profissional permanece como referência para decisões alimentares de crianças.
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