A comunidade científica brasileira recebe, nesta terça-feira, uma leitura de jogo diferente sobre viagens a Marte. O físico Marcelo de Oliveira Souza afirma ter encontrado, quase por acaso, uma rota que pode reduzir pela metade o tempo de deslocamento entre a Terra e o planeta vermelho. A proposta envolve uma trajetória orbital inspirada em um asteroide específico, com viabilidade estimada para 2031.
Segundo o estudo, uma viagem de ida e volta em cerca de cinco meses seria possível apenas sob condições muito específicas de alinhamento entre Terra e Marte. Em 2031, as posições relativas dos dois mundos favoreceriam essa rota ultracurta, diferente das janelas de combustíveis maiores que costumam ditar as missões.
A pesquisa ressalva limites técnicos ainda relevantes. Embora o caminho matemático pareça viável, exigiria velocidades de decolagem superiores a 32,5 km/s e uma nave capaz de superar velocidades de cerca de 108.000 km/h durante a travessia, o que hoje excede as capacidades de veículos disponíveis no curto prazo. O artigo foi publicado na Acta Astronautica em abril.
Ao comparar com as missões atuais, a viagem tradicional de ida e volta dura entre sete e dez meses, dependendo da distância entre os planetas. A cada 26 meses ocorre uma nova janela de transferências eficientes, o que torna o retorno mais oneroso e estende o período total de missão.
Viabilidade da rota ultracurta
- A partir de cálculos de Souza, apenas o alinhamento de 2031 oferece condições para uma viagem rápida com tecnologia de curto prazo.
- A análise usa uma restrição de inclinação de cerca de 5 graus em relação ao plano orbital do asteroide estudado.
- A equipe destaca que o cenário depende de avanços tecnológicos suficientes para suportar as velocidades de decolagem e o domínio de pouso seguros.
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