Era início de novembro de 2025 quando Penelope recebeu a ligação que mudaria a sua vida. Depois de dois anos e meio tentando engravidar, a mulher está grávida, segundo seu médico. O marido, Samuel, descobriu ter síndrome de Klinefelter, o que costuma causar baixa ou ausência de espermatozoides no sêmen.
O casal permaneceu com a gravidez após procedimento de fertilização in vitro (FIV) utilizando a técnica Star. O sistema, desenvolvido pela Universidade de Columbia, identifica e extrai espermatozoides ocultos em homens com azoospermia, condição que atinge parte significativa dos casos de infertilidade masculina.
O que é a técnica Star
A Star (Rastreamento e Recuperação de Espermatozoides) usa inteligência artificial para localizar espermatozoides raros dentro de canais microfluídicos. A amostra é escaneada em tempo real, com imagens capturadas a alta taxa de frames, e o espermatozoide é isolado sem danos.
No caso de Samuel, a dificuldade era maior: não havia espermatozoides no sêmen devido à síndrome de Klinefelter. A equipe extraíu material testicular após terapia hormonal e procedimento cirúrgico, enviando o tecido para análise no laboratório da Columbia.
O sistema Star isolou oito espermatozoides na amostra de Samuel, que foram usados para fertilizar os óvulos de Penelope. Um blastócito completo foi formado a partir de um dos espermatozoides, abrindo a possibilidade de um bebê homem no final de julho.
Perspectivas e limitações
A gravidez representa um marco para a tecnologia, que já está em desenvolvimento há cinco anos. Pesquisadores ressaltam a necessidade de mais ensaios clínicos para avaliar segurança e eficácia a longo prazo, além de discutir dados sensíveis e responsabilidades legais.
Especialistas destacam que a IA pode reduzir barreiras para casais com infertilidade grave, mas alertam para promessas excessivas e custos envolvidos. A expectativa de outro filho permanece, porém depende de novas avaliações médicas e de novas tentativas, se for o caso.
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